sexta-feira, novembro 09, 2007

Pouca terra, pouca terra...

Na Quarta-feira, um julgamento em Coimbra, deu-me direito a viagem de comboio.

Até me soube bem matar saudades daquela viagem... há coisas que nunca mudam, e uma delas é a curiosidade dos passageiros habituais por passageiros de ocasião.
Resolvi retribuir a curiosidade, ao meu lado a senhora não comeu um pequeno almoço, comeu um grande almoço... irra que eu pensei que ela não ía parar. Depois sacou da lima e vai de fazer as unhas... ai que inveja, eu que até tinha na carteira um magnífico verniz vermelho para retocar!
Estava tudo a correr tão bem. Viagem, mensagem, mp3 e ninguém para me aborrecer. Até que uma senhora resolve obrigar-me a interromper a minha sessão musical, mesmo a meio de uma magnífica interpretação de Placebo de um clássico dos Smiths para me dizer que «se fosse a ouvir aquilo ficava doida»... eu que até estava zen, sorri e não disse nada. Não disse, mas pensei... «minha senhora, olhando bem para si, mesmo sem um leitor de mp3, pelo sim, pelo não... se calhar era de marcar uma consulta na psiquiatria!»
Este imprevisto fez-me recordar um outro diálogo na marginal há uns dias. Quando se está a bater no fundo, não há nada a fazer. Ía eu a andar em paz e sossego e não um George Clooney, nem ninguém parecido com um clone seu, mas sim um avô que devia rezar todos os dias para que os netos não fossem fisicamente parecidos com ele, resolve num gesto nada nojento, pôr a sua língua de fora, basicamente a caminhar na minha direcção e a seguir exclamar «Ai que eu até morria!»
Ora, com o susto e com o cheiro, aliás a ordem é inversa, porque sem dúvida as minhas narinas foram a parte do meu corpo que o detectou primeiro, eu nem tive tempo para nada a não ser desviar-me e informar «Com o cheiro com que o senhor vai, eu diria que já está morto há pelo menos 3 dias!»
Voltando ao comboio, que eu sempre achei que é basicamente uma fábrica de têxteis, lá temos uma senhora de volta de uma peça em linha branca, outras fazem camisolas... e, alto! E alguém borda um pano de limpar pratos. Pronto. Tenho a certeza de que é para mim. Sim, porque mais ninguém deve receber panos de cozinha no Natal. Minha senhora, não precisava de se incomodar, eu já tenho às dezenas... mas atendendo a que nem sequer me conhece, é muito simpático da sua parte!
dass

27 comentários:

Rei da Lã disse...

Eu não teria paciência para aturar gente dessa laia.

CeterisParibus disse...

É inexplicável essa força que atrai a geriatria em redor.
Clooneys e quejandos é que nem vê-los. :)
Má sina essa.

Mx disse...

delicio texto... já deu para me rir um pouco com as tuas "desgraças", ate porque as minhas nao tem piada nenhuma :))) vou ter um resto de tarde bem mais animada... Bjos

Rato disse...

Os velhos são sábios, acumularam conhecimento e experiência. Vindo da parte dele, pode-lhe parecer nojento. Mas para ter desencadeado uma reacção, é porque terá qualquer coisa que é de valorizar. Nisto de fantasmas, às vezes um pequeno pormenor faz a diferença. Dar um vinho de qualidade a quem se está a iniciar no álcool é desperdício.
Clooney! já agora e um Nespresso, também não?

sophia disse...

agora que voltei ao comboio quase todos os dias, tb apanho coisas assim curiosas. felizmente, n apanhei as peixeiras, km apanhava há uns naos e era um pivete horrivel...

Snowboarder3001 disse...

cara dass, não me diga que continua com alergia à escola de condução...olhe que até os ciganos conseguem tirá-la e não é com intimidação !!!!!!

Rato disse...

Se não tem carta, é de mulher!!
Numa sociedade de formatados, a diferença é uma mais valia.

gaivota disse...

Recordo, sempre,a paisagem no troço da linha de combóio junto a Reveles, por alturas de Maio/Junho, ao cair da tarde, no sentido da Figueira! Deslumbrante,inesquecível, digno da mais refinada paleta, quase comovente!

carlos freitas disse...

O velho e old "Texas"??? Embora as saudades sejam poucas,nenhumas. Dez anos é muito tempo...muito tempo a andar de combóio. Comprei passe e tudo. Era sócio. Mas andar de combóio é hoje uma atitude quase ecológica, não fosse o tempo que se perde, ou se ganha. Vá lá saber-se. Agora quanto à fauna comboiana, é uma riqueza sociológica digna de crónica. Dasss!

CeterisParibus disse...

"Se não tem carta, é de mulher!"

Então rato? Escapou-te a língua para a asneira?
Deixei de frequentar a noite da Figueira, logo, salvé a mim que não me deixo formatar.

Não tem porque não quer, ou por outro motivo qualquer que entenda aduzir. Mas como sinal de irreverência?

Plof.

Anónimo disse...

Então a Senhora Drª deslocou-se á cidade?????? Que honra, Coimbra recebê-la, e ademais vinda de Comboio. Então, se veio em serviço não aumentou as custas do desgraçado, para pagar os Km, ou não tem direito a ajudas de custo??? Ou é como os seus comentadores dizem, não tem carta de condução???? Se não tem, tem muito juízo porque com tanto azelha que por ai anda, não vá o Diabo tece-las .... livra, que o Mafarrico anda solto.
Mudando de assunto, e para responder á/o ceterisparibus, deve andar a precisar de ir à multiópticas, porque achar que o Clooney pertence à geração geriátrica, oh Deus leva-me para essa geração já, porque eu com um Clooney até vinha a pé para Coimbra. Que dor de cotovelo, para falar assim só pode ser mesmo um homem, achar que aquele charme, aquela estátua de Deus Grego, com aquele sorriso que qualquer clínica dentária daria milhões para o ter a fazer publicidade, oh Deus, dai tininho a quem não o tem.
Ah, aproveite, Senhora Drª que vem ai o Natal e peça ao Pai Natal uns hedfones melhores para o seu mp3, porque realmente é destestável pôr todas as pessoas que nos rodeiam a ouvir a nossa música, se ainda fosse Ena Pá 2000, talvez até gostassem, mas os Placebos convenhamos que não é para qualquer ouvido. E voltando ainda um pouco atrás, digo-lhe que receber um elogio ou uma boca foleiro/porca, no calçadão da marginal, também não é para todas, é só para algumas "sortudas". Good Luck com as queima calorias, eu aconselhava um par de patins, dá mais estilo, tá na moda, para quem tem corpinho claro...... Sem ofensas, mas quem tem tem, e quem não tem, tem pena...
Ah, e por favor não me volte a confundir consigo, é que fico logo mal disposta, com o estomago às voltas, nem sei bem porquê, mas tenho logo que tomar um Zaldiar, porque ao menos tira-me a má disposição, fico melhor que se tomasse uma "bezana".
Anónimo

Anónimo disse...

"O velho e old "Texas"??? Embora as saudades sejam poucas,nenhumas. Dez anos é muito tempo...muito tempo a andar de combóio. Comprei passe e tudo. Era sócio. Mas andar de combóio é hoje uma atitude quase ecológica, não fosse o tempo que se perde, ou se ganha. Vá lá saber-se. Agora quanto à fauna comboiana, é uma riqueza sociológica digna de crónica. Dasss"
Adorei o comentário deste seu comentador, porque fiquei a saber que se pode ser sócia da CP. Segunda-feira, vou já saber o que é preciso para ser sócia sem dinheiro, porque esse, foi no combóio e não voltou, quanto à fauna comboiana, eu prefiro a flora, deve cheirar melhor. Aliás este seu comentador, adora a Figueira, como tal, as saudades do combóio devem ser muitas. Não acha que lhe deve dizer para continuar a viajar de combóio????? Mas, não acredito que durasse uma semana. Um carro é tão bom..... Dasssssssss
Anónimo

Anónimo disse...

Quanto ao Sr. rei da lã, pressumo ser lá das bandas da serra da estrela, para ser rei da lã, bom mas isso não interessa para nada, mas o Sr. ter a lata de escrever que não tnha paciência para aturar gente dessa laia. É preciso ter coragem de chamar a seres humanos, que fazem o que gostam e o que sabem, gente dessa laia. Não sei se se refere ao combóio se á geriatria, se for ao combóio já está comentado em cima, se for sobre os geriátricos, todos os que vivem para lá caminham, e já dizia a minha avó que ouvidos de mulher séria são surdos.
Anónimo

Rato disse...

e tudo o resto permanece constante? (vulgo ceteris paribus)deve ter um Altea p'ra vender. Aproveite.

CeterisParibus disse...

Há quem não leia com atenção ( a anónima ). Há quem tenha veia de private eye ( rato ). E ainda bem que são todos tão diferentes.

Plof.

P.S.P.r. Não está à venda. Faz-me falta.

jg disse...

Aposto que, tal como eu, deves ter uma cruzinha na testa, visível só a predestinados a tal, que dever ter uma inscrição do género: "Desgraçadinhos de todo o mundo, vinde a mim que sou a redenção"
Também me cruzo com exemplares únicos e sou bafejado com situações que nem eu acreditaria se me contassem!!!

jg disse...

Aos "anónimos" deveria nascer um frúnculo na testa ou, caso usassem chapéu, no rabo.
Assim, nunca passariam no anonimato.
Caguinchas, pá.

carlos freitas disse...

Cara/o anónimo
Adorei as suas referências à flora dos combóios: a que se observa no interior e no exterior dos mesmos, incluso eu a dos wc e retretes (aliás retretes é onde normalmente o comboio mais pára. É que antes de chegar a placa de identificação da estação/apeadeiro surge em algumas e na maioria das vezes antes a placa identificadora de RETRETES. O que indica claramente essa flora a que se deve referir. Não imagina o que se pode observar ao longo de dez anos de combóio quanto à sua flora!! Quanto ao meu carrito, pois é disso que se trata, meu caro anónimo/a, sem ele seria um naufrago, mas dúvido que a sua intensa utilização no percurso Figueira-Coimbra e volta (como se diz nos ronceiros combóios sub-urbanos) tenha contribuído para a minha saúde mental. Por isso dou-lhe um conselho, não se meta com quem anda de carro, vá de comboio e não aborreça quem vai na estrada!
Boa Viagem..pouca...terra..pouca...terra..ú..ú...e tenha muito cuidado, não coloque a cabeça de fora na janela do cómbóio...ainda leva com a verdejante flora dos campos do Mondego...olhe que quem avisa. Dasssssssss!!!

Anónimo disse...

Senhor jg, não se deve desejar mal aos outros, olhe o ditado, que o mal que me desejem caia em dobro em cima de quem o desejou .... Imagine ficar com 2 fruncúlos no se sim senhor????? Já viu, tinha que comer em pé, tomar o café em pé, que mau estar. Olhe que dizem que não há bruxas, mas elas andam ai, andam mesmo, e se não olharmos bem, damos logo com uma de frente. E tenha cuidado com os desejos, é que a fada madrinha pode ser má, e conceder-lhe o desejo, e dar-lhe também a si em dobro, cuidado. Ah Ah Ah Ah
Anónimo

Anónimo disse...

Caro Sr. Carlos Freitas, em primeiro quero corrigir um pequenino erro ortográfico, não é cómbóio, é combóio, como eu sei que o Senhor é tão cuidadoso com as palavras que fiquei admirada, mas eu imagino que me estava a responder com raiva e por isso saiu um combóio com 2 assentos, coitado talvez com 2 classes, qui sá. Quanto a ir de carro, eu para a Figueira preferia nem de carro, nem de combóio, nem a pé, mas, imprevistos da vida destes pobres proletários, que tem que sobreviver, para ajudar outros a sobreviver também, lá tenho que ir. Mas confesso, vou também de carrito, a minha latinha de atum, ai vai e volta, e se não quiser voltar, paciência, olhe fique lá. Eu nessa altura então virei de combóio e sairei na estação RETRETE, que é onde se deve sair quando se está na m........
Boa noite Sr. Carlos Freitas
Anónimo
Realmente o blog da Drª Maria D ops da Drª Dass está com actividade muito grande, e ela caladinha, vai deixando que invadam o sitio dela. Ponha termo a isso Srª Drª senão ainda tem que defender o Sr. jg e agora tb o Sr. Carlos Freitas e lá têm que pagar com bi-dons ....... ips urra.
Abençoada pancada, não é Sr. jg, diga antes abençoada queca que o teu pai e a tua mãe deram na brincadeira .... Haja boa disposição. Riam-se, tira as rugas.

Rato disse...

Pouca apetência pelos 'post' de cariz sexual por parte dos seus comentadores. O 'Tudo em pijama!' poderia ter gerado mais de vinte comentários com alguma imaginação, tornar-se um 'best seller'. Poderiam estar a discutir o papel importantíssimo dos acompanhantes masculinos (pagos) na vida das mulheres da Figueira da Foz. Ou as técnicas de dominação (feminina) a que se entregariam (os machos) de bom grado (dispenso-me de as referir!!). O tema seria vasto. Mas até os mais velhos perdem a fleuma quando do carro se trata. Bem pode a anónima ficar à espera, a clamar contra a falta de machos.
A montanha pariu um rato!

Rei da Lã disse...

Se me for permitido responder ao Anónimo das 09:08...

Quando digo "gente dessa laia" refiro-me às pessoas que metem conversa com desconhecidos.
Não acha que é incómodo, por exemplo, pretender ler em viagem e ter um papalvo a azucrinar-nos?

Por ora é só...

Anónimo disse...

Corrige o cómbóio do outro e escreve qui sá, é muito, é demais.

Monalisa disse...

Fonix que a amiga tem cá uma atracção, diria que fatal, para com a 3ª idade... já pensou porque será??? Quanto à anónima que atendendo ao testamento deve pertencer à geração que tanto atrai a "sra dra", deixe-me que lhe pergunte: desde quando essa terrinha de pretensos drs e afins dá pelo nome de cidade? Só se fôr por sair no mapa, porque de resto é a miséria que se conhece...

Anónimo disse...

Oh monalisa, que ódio a Coimbra. Isso deve ter sido algum amor mal tratado, que a deixou ficar com tanta raiva à cidade dos Drs. Só não entendo é porque querem vir todos para esta santa terrinha. É claro que a Figueira não se lhe compara, esse adorável vento, que leva os cabelos ao vento, ou digamos antes essa forte brisa maritíma que suavemente toca nos cabelos e os faz esvoaçar, essa água de mar, deliciosa, quando entramos, ficamos mais brancos, do que se tivessemos sido lavados com lixívia, o sangue sobe todo á cabeça, o corpo coberto de bronzeador e de repente vindo do nada uma "onda" de vento varre a areia da praia, e que ficamos???? Tal e qual uns panados.
Mas terras, cada um sabe do que gosta e gostos não se discutem.
Quanto à anonima que escreve testamentos, com pena minha, ainda não entrou na geração geriátrica, a tal que a Srª Drª Dass gosta de atender, não sei a que se refere, se ela atende velhos e velhas, abençoada seja, mas eu ainda, não tenho idade para receber a reforma, e ir para um lar com fraldas, ou algália. Embora me apeteça dizer que tenho Alzheimer, mas esse alemão ainda não me entrou na cabeça, ainda estou na idade em que posso tratar mais novos, talvez não a sua idade, porque pela conversa, poor litlle child, cresça cresça cresça.
Anónimo

carlos freitas disse...

Cara anónima já vi que tenho colega/o de infortúnio. Mas descanse que se a /o vir apeado em Retretes deixo-o/a por lá descansado/a. Normalmente na bagagem transporto admiráveis rolos do dito cujo para o dito cujo. Por isso servi-se á vontade.

Anónimo disse...

Caro Sr. Carlos Freitas, deculpe Drª Dass, mas tenho que responder a este Senhor, porque ele "meteu-se" comigo, tem que "levar" resposta. Olhe quando me vir apeada em RETRETES é porque o Sr. deixou o seu latas onde ele quis parar, e eu a minha lata de atum onde ela quis ficar, sorte a deles, azar o nosso. Por enquanto, que eu saiba, ainda não encontrei nada á beira da estrada que diga RETRETES, que diga Alóe Vera, isso encontro, por isso, como nos alóe vera tenho um bocadito de receio dos picos das plantas, de certeza que ai não preciso dos seus rolos de papel, e também lhe tenho a dizer que não aceito rolos de papel de qualquer pessoa, sei lá por onde o Sr. já andou com eles. E para que saiba eu além dos rolos de papel higiénico, ainda trago toalhetes húmidos, fica mais limpinho.................
Boa noite Sr. Carlos Freitas
Anónimo

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