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segunda-feira, fevereiro 09, 2015

A Reserva das Audiências em Belém, a mentira é o limite

http://porquemeencanita.blogs.sapo.pt/a-reserva-das-audiencias-em-belem-a-8315

por maria l. duarte, em 31.01.15
Deixemo-nos de subterfúgios e de cobardias.
O conteúdo das audiências que o Presidente da República concede deve ser reservado? Deve, obviamente.
Acontece que:
  1. Cavaco assegurou aos portugueses que podiam confiar na solidez do BES (pouco antes da «solução final»);
  2. Houve pequenos investidores a ir colocar dinheiro no BES, e a perder tudo;
  3. O BES passou a banco mau, com um novo banco mal parido (curiosamente ainda no mandato do conselheiro de estado que o era, que deixou de ser (ou não), que voltou a ser, que se desvinculou do Banco de Portugal, que retomou ao Banco de Portugal porque afinal ninguém tinha assinado a desvinculação - ufa), quase imediatamente;
  4. O PR afirmou que só tinha as informações que o governo lhe dava. O que, inclusive, alguns comentadores anunciaram como um fim de namoro entre a Presidência e o Governo, com Cavaco a dar a entender que o Governo podia não lhe ter contado tudo. De Belém, também nos lembramos, já se deu a entender que se era escutado - por isso, se calhar, também não era para levar a sério;
  5. Salgado afirma que teve duas audiências com o PR, já confirmadas. Até aqui continuariam a ser reservadas, cum grano salis;
  6. Porém, Salgado vai mais longe, e afirma que numa dessas audiências informou o PR sobre o colapso iminente do BES/GES;
  7. Há interesses dos portugueses (sim, o Banco de Portugal, que se afirma enganado e impotente, é o regulador nacional), há interesses dos contribuintes, do povo, em nome de quem são exercidos os mandatos, em jogo;
  8. Interesses tão relevantes, porque a segurança e solidez do sistema bancário e financeiro, não é de somenos, mas um pilar fundamental da nossa hodierna sociedade, que justifica uma Comissão Parlamentar de Inquérito;
  9. A partir do momento em que Salgado diz que não numa conversa «pessoal, privada», mas em audiência concedida «formalmente» em Belém, deu conhecimento ao PR do colapso iminente do BES, um PR não pode refugiar-se no carácter reservado da audiência para não dizer «fui informado e menti ou não fui informado e Salgado mentiu».
  10. A reserva tem fundamentos: a confiança de quem é recebido em audiência, em prol da protecção e da melhor defesa do interesse nacional, dos portugueses. Se o interlocutor faz uma afirmação sobre o conteúdo da audiência, infirmá-la ou corroborá-la não está sob reserva.
  11. Senhor Presidente da República, não responde perante o Parlamento, mas responde perante o povo. E aqueles deputados representam o eleitorado. Diga-o na Comissão, diga-o em comunicado aos portugueses que o elegeram, que não o elegeram, que se arroga representar aqui e no estrangeiro, que sempre pagaram impostos para sustentar a sua já longa carreira política, mas está instado a pronunciar-se. O silêncio não é aceitável.
  12. Em direito diz-se o silêncio «parece» que consente, em política, o silêncio permite-nos inferir toda a aparência da mentira.

quarta-feira, janeiro 07, 2015

A(s) mão(s) que controla(m) o GES=BES


A(s) mão(s) que comanda(m) o GES=BES

por maria l. duarte, em 06.01.15
Esta Comissão Parlamentar de Inquérito ao GES/BES centrou o interesse no Parlamento. Há transmissão televisiva, em directo, muitos portugueses a ver/ouvir, os jornais e os telejornais debruçam-se sobre a mesma, os deputados, genericamente, estão a mostrar um bom trabalho, e os portugueses estão a gostar, e há deputados a brilhar. Mariana Mortágua brilha em inteligência, pertinência e beleza.

Agendada que está a audição do Contabilista, para dia 8 de Janeiro, somos todos desiludidos com a informação de que a mesma vai ser «à porta fechada», sem transmissão. Desilusão.

A série, líder de audiências, do Canal Parlamento vai privar-nos de um dos seus melhores e, certamente, mais longos capítulos.

Este contabilista não é um personagem qualquer, ele já foi:
  • O culpado disto tudo (guião Salgado)
  • O pau mandado disto tudo (guião contabilista);
  • O confesso culpado disto tudo (guião contabilista);
  • O inocente bode expiatório disto tudo (guião Ricciardi);
  • O desaparecido disto tudo, com último encontro/morada conhecida nos EUA (guião Salgado);
  • O residente em Lisboa, disposto a aparecer (guião Salgado);
Disposto a aparecer, talvez, mas nós não vamos poder assistir.
Isto causa-me um enorme transtorno.
Estando, ao que parece, os diferentes depoentes em ruptura com, pelo menos, alguns dos outros. A cortar laços e a fazer estratégicas alianças, entre si.
Para efeitos de comparação com algumas práticas de organizações semelhantes, de outros países, eu tenho tido o cuidado de escrutinar em cada visualização, o verdadeiro cerne (pode incluir cherne) da questão: os depoentes têm, ou não, os dois dedos mindinhos?
E o pior é que já pus moedas a mexer para esta minha investigação científica, agora, boicotada.

publicado às 23:06

terça-feira, dezembro 16, 2014

Milhões Submersos

Milhões submersos

por maria l. duarte, em 16.12.14
Em termos cronológicos, os milhões distribuídos no GES que é BES, ou melhor, a uns arautos, eleitos, da amnésia selectiva, foram-no quando já havia problemas financeiros no grupo? Louvemos a virtude dos senhores. Receberam milhões, de comissões, de prémio, de presente, do que quiserem, mas seguramente do negócio dos submarinos. Mas os virtuosos, a quem não passou pela cabeça devolver o dinheiro, falam do negócio dos submarinos como "Cruz, credo". Contaminou a imagem do grupo, decidiram nunca mais estar em negócio idêntico. Eis algo em que os amnésicos, irresponsáveis por qualquer coisa que se tenha passado, estão de acordo. Também estiveram de acordo em embolsar os ditos milhões. Todos estamos de acordo em que não haveria mais negócios com submarinos para intervir. Calha bem.

publicado às 22:58
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