quarta-feira, novembro 21, 2007

4 da manhã? Hora de Bergantim!

Sábado à tarde, cruzamento acidental a caminho de café na esplanada da Tamargueira. Eu confesso: café na Tamargueira dá-me sempre vontade de visitar as promoções do Lidl, só para ver as coisas inesperadas que por lá aparecem... mas resisti estoicamente, nem sequer comprei a magnífica oliveira no vaso. Até porque vou receber um vaso com piri-piri! Miseravelmente há mais dois bonsai moribundos no meu escritório, tomem isso em consideração na vossa lista de Natal!
Enquanto eu me preparava para comer umas castanhas assadas perto do Cabo Mondego e fui impedida pela amiga A. Ela, inspirada, resolve dizer que as castanhas que a mãe assa no fogo não ficam com aquele aspecto, os vendedores de rua devem usar farinha nas castanhas! Estavam lançados os dados para um Sábado sempre a descer.
Não sei como se aqueceram, mas no Sábado eu ía congelando. O frio faz-me sempre lembrar a frase com que começou o meu insucesso numa certa área, em plena noite de São João, há muitos séculos atrás: «Ai Joãozinho estou com tanto frio». Escusam de dizer que com uma frase destas eu não podia esperar outra coisa. Nada disso! No alto dos meus 13 anos eu já era incapaz de algo tão ridículo. Por isso mesmo, eu fiquei sozinha, enquanto a tonta que lançou a pérola se aquecia com o homólogo do Santo!
Mas voltanto aos 32 anos, no Sábado, descartada para não ficar ao abandono depois de uma água e de algum ataque esfomeado assustador... sim, porque nunca se sabe o poder que uma água de luso pode ter sobre uma louca... fiquei mesmo no colchão, a tiritar de frio até me render ao terceiro edredon (edredão, se insistirem).
Mas não me rendi à horizontal sem primeiro passar por ritual de chocolate, brilhantes, maquilhagem, perfume e... cama, naturalmente com o telemóvel.
Seguiu-se sessão de chocolate, quente ou talvez não... talvez muito quente, tão quente que até deu sono à chávena!
Às 4 da manhã, com um frio de rachar (que não foi só o São João que se zangou comigo. A minha relação com o São Pedro também já não é o que era, envia-me chuva quando eu quero ir passear de manhã e matar saudades, e obviamente escuso de referir a minha relação com o Santo António...) resolvo ir sacudir o sono ao Bergantim (obviamente!)
Lá fui ao bengaleiro, comprar o habitual n.º da sorte que me custa 50 cêntimos e no sorteio nunca me sai nada a não ser a devolução integral dos meus objectos pessoais. Aliás, €0,50 dá direito a duas peças e eu só deixei uma, devia ter pago só €0,25! Ainda com sono... mas qual sono? Tal como eu previa, as minhas preces são ouvidas.
Algo me dizia que um dia eu ía chegar ao Bergantim e ter um George Clooney só para mim! E lá estava ele, fantástico, a olhar para mim, em cima do balcão. E eu pensei... ai seu maluco! Este balcão é muito alto e está aqui muita gente, não posso...
Pois... eu achei que não podia fanar (digo, trazer emprestada) a revista onde o homem estava na capa, mas alguém teve a mesma ideia, porque quando achei que afinal, se calhar, até podia, a
revista já tinha desaparecido. Suasssss desavergonhadas, ladras, aproveitadoras!
A música estava soberba, Muse em Starlight, mas sobretudo em Plug in Baby, Placebo, Smiths, The Cure, Interpol, We Are Scientists... ui tanto, amei! Sim, valeu a pena ter saído da cama às 4 da manhã.
Naturalmente o cotovelo masculino que passou a noite inteira a chocar no meu peito, de modo que me conseguiu ir afastando do meio da pista até à parede, também deve ter achado que valeu a pena. Sim, porque havia com toda a certeza muita coisa onde chocar, mas dificilmente ele encontrava dois amortecedores à altura certa, haja alguém que tenha achado vantagem no facto de eu ser baixa. Oh dançarino da asinha aberta... que tal a versão: não mexe, não estraga, vá levanta lá os bracinhos e agita no ar, como o teu amigo, exacto... shhhhh sem cotovelo a rodar! Irra! Isso é que é pontaria.
Vamos iniciar uma nova etapa. Repitam comigo: «Os 3 sócios do Bergantim são amigos, são muito generosos! Eu pago com agrado o bengaleiro (ponham lá a revista outra vez e à quantidade de peças que eu vou querer ir levar ao bengaleiro, até faço um strip!). Eu patrocino pato à Pequim com um sorriso (e não só). €6 euros por uma água, belíssima vista (desde que me tirem as torres da frente) e excelente música é uma pechincha!
E se alguma vez dei a entender o contrário foi mea culpa, mea culpa, mea culpa». Perdão, não se volta a repetir.
Eu justifico aquilo que parece um epitáfio. Então não é que fui presenteada?! Para eu não ter a mania, eis que recebo um copo no meio da pista... calma, desta vez ninguém me despejou nada em cima.
O Bergantim quis oferecer-me uma bebida, através de um auto-intitulado Relações Públicas que afinal não é relações públicas, nem sócio, nem um dos três Castilhos... estava um bocadinho em negação. O que interessa é que afinal o Bergas não quer matar-me por causa do blog.
Mas a oferta veio logo acompanhada do aviso «Estás sempre a queixar-te de que no Bergantim ninguém te oferece nada, toma, é para ti!»
Eu, que por defeito de profissão aprendi que uma confissão espontânea faz reduzir as custas para metade, nem assobiei para o lado, afirmei logo que dizia isso no blog mas era uma brincadeira, agradeci, mas declinei a bebida. Cá para mim o cigarrito que o puto ao meu lado fumou além da pedra tinha também soro da verdade... e eu ali tão perto...
Amigos, o que é que eu bebo? Água, sumo de laranja, para um intenso e pecaminoso prazer coca-cola, e um Baileys com muito gelo também é bebida para me adoçar. Pois, fui brindada com um Safari Laranja!
Oh amigo, eu nem tenho especial gosto por casacos safari, muito menos em tom laranja, pronto também faz lembrar animais, aliás, animais de grande porte... Ora portanto, Safari?
Eu só quero dançar! Ida ao Bergantim é para aproveitar a música, dançar, dançar, dançar, sacudir a semana, ouivir música fantástica e dormir cansada.
Castilho pode ser um bocadinho sinónimo de Judas... eu pedi socorro, e nada. O melhor que consegui foi a oferta da bebida com o esclarecimento de que o portador não se estava a meter comigo nem com a minha amiga!
Ora, ora, se a coisa já estava a ir mal, só podia ficar pior se me fosse dito «Não fiques nervosa, sinto a tua mão a tremer!»
Pronto, Se eu fosse um avião (mas isto não dá nem para uma zundap famel) tinha-me despenhado.
Então não é que me senti de imediato no meio de uma novela mexicana? A coisa estava de ir às lágrimas, só faltava eu começar a gritar que era a menina pobre e boazinha... obviamente se a novela fosse da TVi eu teria «morrido» há algumas décadas, mas afinal estava viva e nalgum sítio ía aparecer pelo menos um par de gémeos.
Aceitei a bebida e agradeci. Provei... ai, ai, ai nunca mais me queixo do Bergantim. Era preciso envenenar-me, era? era? Não podia antes um certo ruim ter-me oferecido uma mísera aguinha?
Shuiiinnfff
Há realmente quem pague para beber isto?
Ofereci a bebida à amiga que avaliava uma matéria prima que demanda muita mão de obra e me agraciou com um «eu até já gostei disso, mas se o beber agora tripo já aqui».
E... enquanto tocava o Candy voltei para a caminha, não fosse o Safari incompatibilizar-se com o JB e a menina cumprir a promessa.
dass

10 comentários:

Rato disse...

Para a linda cor das castanhas (não é farinha) veja este link:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Carv%C3%A3o
_mineral

Da próxima vez que comprar tente ver se o carvão é parecido com a fotografia.
Depois pergunte a alguém conhecido da ASAE, se as ditas tem segurança alimentar.

As pedrinhas negras (antracite melhor dizendo) serviam para alimentar a fornalha das locomotivas que faziam muito fumo, e diziam pouca terra, pouca terra... mas que convenhamos, eram interessantes. Mais interessantes do que o SMART proposto em post anterior, que não dá para reclinar os assentos.

Quanto ao frio, noites, homens, nada feito. Isso aí é o deserto de que fala o LINO construtor.

Quando a menina estava em gestação, corria nas ruas o 25 de abril. O nosso maio de 68. Nessa altura os anarcas (significa anarquistas) publicavam um jornal chamado A Merda, eram muito superiores aos Gatos Fedorentos, por exemplo em relação à mama massacrada pelo bailarino-borboleta, os anarcas diriam: "mais vale uma na mão, que duas no 'soutien'"!!!

Rato disse...

Para a linda cor das castanhas (não é farinha) veja este link:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Carv%C3%A3o_mineral

Da próxima vez que comprar tente ver se o carvão é parecido com a fotografia.
Depois pergunte a alguém conhecido da ASAE, se as ditas tem segurança alimentar.
As pedrinhas negras serviam para alimentar a fornalha das locomotivas que faziam muito fumo, e diziam pouca terra, pouca terra... mas que convenhamos, eram interessantes. Mais interessantes do que o SMART proposto em post anterior, que não dá para reclinar os assentos.

Quanto ao frio, noites, homens, nada feito. Isso aí é o deserto de que fala o LINO construtor.
Quando a menina estava em gestação, corria nas ruas o 25 de abril. O nosso maio de 68. Nessa altura os anarcas (significa anarquistas) publicavam um jornal chamado A Merda, eram muito superiores aos Gatos Fedorentos, por exemplo em relação à mama massacrada, os anarcas diriam: "mais vale uma na mão, que duas no 'soutien'"!!!

Anónimo disse...

Não tive tempo para ler, mas está muito bem. tem muitas letras por isso deve estar bem. Só venho perguntar se já começou abotação. Já? Se tiver cupons diga lá onde se vão levantar os ditos. Muito Obrigada.
Peido Mor

Ze Cabra disse...

Nao consigo compreender como e que alguem consegue sair da cama quente as 4 da natina para ir para esse ritual. Ainda por cima a musica???? Muse???? Placebo???? Interpol????? Isso e so barulho!!!! Se ainda fosse para ir ouvir Diapasao....

sophia disse...

fantástico!! =)
e depois de te conhecer pessoalmente, ainda acho mais piada à forma como descreves as situações ;P

Anónimo disse...

Candy Candy Candy
I can't let you go
All my life you're haunting me
I loved you so
Candy Candy Candy
I can't let you go
Life is crazy
I know baby
Candy baby

Anónimo disse...

Interpol etc... lololololololololo

Anónimo disse...

Mal intencionado sr. peido-mor, então a Srª Advogada estava a falar de castanhas e o senhor já quer comprar os cupons para ver quem desaperta primeiro os botões.
Nada como o eclair, de preferência de chocolate.
Trate-se meu amigo, olhe que a vida é curta, e os homens cada vez são menos.
Anónimo

Paulo Dâmaso disse...

O Cloney no balção do Bergas? Pois pois, queria um Nespresso, porventura.
Já eu andei mais a empurrar a cabine no DJ a ver se ela se desviava e nada! hihihi

Rato disse...

Então o Peido-Mor só queria os cupões para votar (daí a botação!) no Blogue, e o anónimo (que é fêmea desamparada) é como o presidente daquele clube de futebol que não sabe ler?!

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