Quando o dia está ensonado, com ar pesado e trabalhamos (porque é preciso), mas o corpo não se livra da moleza, os homens queixam-se que têm de beber muito café (já bebi demais, abusei, tenho de moderar ou ando a tremer), enfim, umas meninas.
Nós, nobilíssimas criaturas do sexo feminino, bebemos café, adicionamos um docinho (mais um, e outro, e só mais um), e ninguém nos ouve queixar.
E hoje é um daqueles dias de ar pesado, de trovoada, de calor húmido, um dia que apela ao sono, apesar de o trabalho não esperar. Nós até estamos despertas, contudo «corpo» é uma palavra masculina, «olhos» masculina, «bocejo» masculina... é só moleza.
Mas há sempre uma solução, e eu descobri-a.
Uma solução que envolve todo o corpo, ou melhor, a pele, pequenos toques e muitos «ui, ui, ai, ai».
A receita é simples, sim, já sei que estão adivinhar.
Fui à costureira apertar um vestido.
Experimentei, a senhora encheu o dito de alfinetes dos dois lados, de cima a baixo, mais alguns ao meio, atrás... tudo tranquilo.
Depois da prova, há que tirar o vestido, milhares (as mulheres também exageram, dizem que os homens são lindo, estamos conversados) de alfinetes a picar a pele. Ui, ui, garanto-vos que acordei.


