sexta-feira, junho 27, 2014

Figueira Parques e Civismo



Hoje necessitei de ir tratar de «assuntos» vulgo: pagar multas e renovar dístico de residente, à FigueiraParques, EM.

Por trás da secretária da Ex.ma. Senhora que me atendia uma folha A4, bem visível, afixada em local central, dizia mais ou menos isto:
«O Civismo e o respeito pelos outros não têm preço, mas a sua falta sim.
(Preçário no código penal, código civil, código da estrada)»

Pois então comecemos:
1 - Em vez de «Bom dia», fui tratada com um «diga». As regras da casa 20 - Civismo 0,5;
2 - Havia, em frente à secretária, uma cadeira, presumo que fosse para se sentar quem ali fosse tratar de assuntos. A Ex.ma. Senhora que me atendeu estava sentada. Do lado de cá, eu fiquei de pé. Ninguém me convidou a sentar e eu respeito o civismo. As regras da casa 20 - Civismo 0;
3. - Como estava sol e eu tinha entrado no edifício de óculos de sol, segurei os mesmos na mão, entre mil e uma tralhas. Não havendo sol no seu posto de trabalho a Ex.ma. Senhora que me atendeu, tinha os seus óculos de sol no alto da cabeça. As regras da casa 20 - Civismo 0;
4. - Imediatamente toca o telefone, sem me dar uma palavra, um «com licença» que fosse, obviamente atende. E nos mesmos modos austeros vai dizendo «tinha que puxar agora muito pela mioleira, não sei. Ele que vá às finanças».
5. - No momento seguinte sou brindada com «apesar de termos aqui os processos estamos a perguntar isto a toda a gente, não tem lugar de garagem ou de estacionamento para a viatura, mesmo? Temos apanhado muitos casos de mentiras». Contei até 10 e, obviamente, disse à Ex.ma. Senhora que me atendia que visse o processo, que consultasse a conservatória do registo predial e a minha situação fiscal e que não me perguntasse se o que eu digo num segundo é mentira no outro. Assim como a informei que os outros casos não me interessam.» As regras da casa 20 - A minha paciência muito menos;
6. - Os sorrisos, esses claro, não fazem parte das regras da casa, eu não fazia parte da casa. Ah mas isto não é considerado civismo.
7. - Eis senão quando eu atinjo o meu ponto de ebulição, ou rebuçado, e resolvo dizer o que me ía na alma do olfacto. «Têm ali um cartaz lindo sobre civismo. Civismo também era não cheirar aqui a suor logo de manhã. Não sou obrigada a vir aqui de manhã e estar a suportar este horrível cheiro a suor. Banho, seja da senhora ou de quem aqui está a trabalhar, que eu desconheço, também é civismo». Ao que a Ex.ma. senhora enfia o seu delicado nariz no seu próprio sovaco, abrindo as asinhas, e me responde «eu acho que não estou a transpirar. São prédios velhos, é o que dá». As regras da casa 20 - Civismo, o do costume.
8. - Moral da história, enquanto se ouvia lá dentro alguém a ouvir música, que eu desconheço se era homem ou mulher e se tinha tomado duche ou não, aprendi que os prédios antigos transpiram.

1 comentário:

Zé Beto disse...

"Dassssss"este texto está altamente, parabéns!

eXTReMe Tracker